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  • Restauração Cultural

A transa adúltera entre desarmamentistas e armas

Atualizado: 15 de Dez de 2019

A hipocrisia dos desarmamentistas - a seleta classe que pode desfrutar, sem qualquer problema, da proteção das armas


Há anos no debate, o desarmamento no Brasil expõe a calhordice de uma classe cínica, insensível, egoísta, elitista e muito antidemocrática: a dos desarmamentistas de araque.


A categoria é formada basicamente por milionários, ricos, novos ricos descolados, artistas e políticos graúdos que, fazendo coro com a conhecida agenda da esquerda, moldada em motivações político-ideológicas, abomina a ideia de se permitir ao cidadão comum, ou seja, aquele indivíduo que é exposto a todo o tipo de violência no país de índices criminais desconcertantes — que já ultrapassam países em guerra — possa exercer plenamente seu sagrado direito à legítima defesa e ter consigo ou dispor de uma arma de fogo.


Seria somente uma criticável posição "politicamente correta" daquelas que se agarram ao pacifismo bocó ocidental, alimentado pela mídia que prega o cômico uso de pombinhas brancas, livros, flores e canções para enfrentar a bandidagem, cada vez mais ousada e bem armada, mas vai muito além! A postura mostra, ironicamente, a enorme cara de pau de pessoas que fazem parte do único grupo que pode, sem quaisquer óbices, ter o acesso legal à proteção das armas por meio de agentes privados ou públicos. Já que têm dinheiro para tal ou então pertencem a grupos que o Estado afiança o direito a se ter segurança armada.


Quem nunca viu nas naïfs campanhas publicitárias tantos descolados declamando poeticamente sobre a necessidade da eliminação das armas de fogo para a paz social? Um enfadonho e raso blá blá blá de novos hippies que parecem bem atrasados em Woodstock. Seres que não vão a um shopping center na esquina de casa sem levar junto sua escolta armada; que proporcionam aos filhos o mesmo esquema protetor e que, com muita desfaçatez, advogam que o brasileiro não pode, de forma alguma, armar-se. Justificando todo o egoísmo mórbido, utilizam-se das mais variadas teorias: do risível bang bang imaginário até a ameaça de que o armamento seria para o trânsito nacional.


Os iluminados desarmamentistas sempre dizem que “o brasileiro só precisa exigir do Estado o direito à proteção”. A premissa não é apenas imbecil, é também impossível, pois nem o mais rico e bem-equipado Estado do planeta poderia oferecer tal apoio. A razão é elementar: o Estado não pode se fazer presente para todos e em todos os locais, 24 horas por dia, na pessoa de um policial armado, por absoluta falta de meios. Nunca é demais ressaltar que o direito à legítima defesa não se confunde em momento algum com o direito à segurança pública, esta sim, um dever do Estado.


Oferecer condições, por meio da autorização do uso de armas, é dar ao cidadão de bem seu legítimo e inegável direito para o exercício de sua defesa plena (ou de terceiros) contra uma agressão injusta e, via de regra, desproporcional. Essa autorização é civilizatória, pois torna mais exequível uma provável preservação da vida das vítimas, geralmente, inocentes, possibilitando que selvagens infratores da lei talvez não vençam seus covardes ataques por um simples motivo: a superioridade material, que o Estado "rouba" do indefeso o acesso, que poderia resguardar-lhe a vida.


O caso dos “desarmamentistas armados” ou que podem ter armas tornou-se caricato quando uma pacifista e deputada federal da esquerda, Talíria Petrone, foi para suas redes sociais chorar suas pitangas pela “injustiça” abominável que estava sofrendo. Segundo ela, recebeu ameaças graves no exercício de seu mandato e, portanto, precisava de escolta armada no Rio de Janeiro, seu estado natal. O governador negou seu pedido, alegando que deveria ele ser encaminhado à Polícia Federal. Foi o suficiente para gerar revolta na pobre mulher cujo partido pede, inclusive, o desarmamento da Polícia Militar.


Será que a senhora deputada não sabe que milhares de trabalhadores brasileiros sofrem diariamente as mais graves ameaças vindas de bandidos? O caso dela, se verdadeiro, não seria o único! E como desarmamentista que é, precisa ser a primeira a dar o exemplo de coerência com a sua predileção de um mundo sem armas. Ou, então, disfarçar e contratar do próprio bolso uma pessoa que ofereça a segurança que procura.


Aliás, nós resolveríamos o impasse sobre a discussão em torno do uso de armas ( já que no Brasil um referendo não tem validade, nem respeitam o projeto político vitorioso nas últimas eleições) com apenas uma lei: nela, político algum, exceto o presidente, o vice-presidente, ministros de Estado e os governadores, faria jus à proteção de escolta armada oficial. Certamente, a lei teria impacto imediato, pois nossos intrépidos políticos não podem sofrer uma reles pressãozinha em rede social, que já ordenam reforços na segurança pessoal. Tudo pago com o nosso dinheiro, claro! O mesmo sujeito que nos proíbe de exercer plenamente a nossa legítima defesa é aquele que nos obriga a pagar pela dele. Uma relação bizarra que só é explicada pela rotineira incoerência dos canalhas.


Não são poucas as hipocrisias da interesseira classe desarmamentista de araque, a única que desfruta legalmente da proteção oferecida pelo armamento e que ainda faz forte lobby para que o pobre e desprotegido cidadão brasileiro — que não pode pagar por um segurança armado ou que o Estado não lhe oferece o item gratuitamente — morra sem ter o direito de defender-se dignamente.


Antes que apareça algum desavisado — ou até ignorante mesmo — a lei que permite o armamento enumera a rígida observância de requisitos objetivos e indispensáveis para a concessão da permissão; o Estado não obrigará ninguém a adquirir uma arma — esse direito será sempre facultativo, terá arma quem quiser; o Estado não distribuirá armas nas esquinas e não as enviará à população pelos Correios; e “mais armas não significa mais violência”, é justamente o contrário, basta pegarmos os estudos e estatísticas sérias de países com legislação mais flexível.


Em última análise, é a inacreditável crueldade de uma aristocracia cínica e impassível, que não tem apreço pela vida dos brasileiros, mas que adora cuspir jargões palermas na defesa de “um mundo melhor e da paz social” — enquanto seu segurança ou policial armado espera pacientemente o término da sua patética intervenção. Intervenção essa que garante o massacre hoje visto no Brasil, praticado pelos audaciosos e truculentos criminosos: certos da impunidade e da fragilidade de suas vítimas.

Autoria de Claudia Wild.


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