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  • Restauração Cultural

As luvas das donzelas

Atualizado: 15 de Dez de 2019

Nossas donzelas processuais impolutíssimas se esquecem de que seus protegidos roubaram trilhões do erário e décadas do nosso desenvolvimento.


A perplexidade invade a maioria dos brasileiros quando se depara com “donzelas processuais” que ignoram não só a realidade no mais comezinho dos tribunais, como também a retidão moral e a coragem de Sérgio Moro – quem, até nas supostas mensagens roubadas, teve seu ótimo caráter revelado. Supostas mensagens que, inclusive, não mostraram a prática de nenhum ilícito ou atividade antirrepublicana, mas mostraram um probo juiz preocupado com a aplicação da lei.


Nossas donzelas processuais, que habitam o mundo do direito imaginário, fazem de conta não saber que estamos falando da luta de profissionais sérios contra um esquema vigoroso riquíssimo e poderosíssimo, com ampla parceria no submundo do crime e com tentáculos na patifaria.


Foto ilustrativa. Fonte: Polícia Federal.

Uma enorme quadrilha com provada conexão no exterior; que é ligada ao Foro de São Paulo; FARCs; PCC – que, por sua vez, é ligado ao Hezbollah; aos lavadores internacionais de dinheiro; paraísos fiscais etc. Ou seja, um esquema muito influente e organizado que nunca antes foi visto no país.


Nossos seres impolutos se esquecem de que muitas instituições tentavam desesperadamente aniquilar a operação mais importante que o país já teve. “Forças nada ocultas” tentaram reduzir o combate à megacorrupção brasileira a um processo com dois ou três bois de piranha para proteger tubarões.


Nossas donzelas processuais impolutíssimas se esquecem também de que seus protegidos roubaram trilhões do erário; roubaram décadas do nosso desenvolvimento e instituíram no país a corrupção como política de Estado por meio de uma organização criminosa jamais vista no planeta.


Enfim, como no caso do bom médico que, após presenciar um acidente grave na estrada, para seu carro, tenta salvar a vítima – usando toda a sua expertise e boa vontade –, e aparece um Zé que não estudou medicina e nunca se dispôs a ajudar um cachorro, e grita: “ô, dotô, cadê as luva?”.

Autoria de Claudia Wild


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