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  • Restauração Cultural

Eduardo Bolsonaro: riscos e vantagens

Atualizado: 15 de Dez de 2019

Reflexões sobre as cartas do jogo político atual


Após uma calma análise sobre a eventual indicação de Eduardo Bolsonaro para ser o novo embaixador do Brasil em Washington/USA, foi preciso traduzir o imbróglio com a precaução devida, porque o assunto envolve diferentes nuances, evidentes prós e conhecidos contras. Assim, tornou-se imperioso adentrar no desgaste político provocado pela decisão do presidente Jair Bolsonaro; na natureza do cargo a ser desempenhado; e no momento geopolítico atual.


  1. Não importa quem seja o indicado, qualquer aliado direto do governo Bolsonaro sofrerá alguma ou muita rejeição. Até dias atrás, provavelmente, nenhum palpiteiro saberia dizer o nome de um único embaixador do Brasil em Washington nos últimos vinte anos. De repente, temos milhares de experts em chancelaria e nos dois espectros políticos: direita e esquerda.

  2. Eduardo Bolsonaro reúne condições para o bom exercício do cargo. Ele está habituado com os trâmites que permeiam o universo das relações exteriores, além de ser um jovem político de inaudita confiança. Ele certamente contará com preeminente assessoria, que poderá agregar à experiência e à qualificação inerentes ao ofício — quesitos de suma importância.

  3. Do ponto de vista geopolítico, sua escolha será vantajosa. Como embaixador, poderá atender aos principais anseios do governo Bolsonaro e dos seus eleitores — até mesmo daqueles que relutam em aceitar, com a mínima simpatia, a sua indicação. Ele também desfruta da inquestionável consideração do atual presidente Donald Trump (que tem ótimas chances de ser reeleito), o que pode garantir excelente parceria e uma representação altaneira. Conforme é cediço, no campo diplomático, o Brasil sempre contou com uma certa antipatia antiamericanista bocó e subdesenvolvida, refletindo a posição ideológica de seus governos reconhecidamente atrasados.


Desta forma, poderíamos dizer que, como a maioria das decisões importantes, se Eduardo Bolsonaro for o embaixador brasileiro nos Estados Unidos, teremos inúmeras vantagens e prováveis riscos desvantajosos.


As vantagens seriam: primeiro, o simbolismo, para os EUA, em relação à escolha: enviar o filho e deputado mais votado do país é uma clara mensagem para o establishment americano a respeito da guinada da política externa brasileira em relação à América; segundo, a convergência de estilos entre os dois governos, o que facilita muito as negociações (que prescindirão das intrincadas liturgias tradicionais).

E, por sua vez, teríamos também os riscos, as desvantagens. A primeira delas: os americanos não conquistaram a hegemonia por serem ingênuos. Eduardo terá de contar com a condescendência de Trump, um “player” agressivo em política externa; e a segunda, o presidente perderá um poderoso aliado se o nome de Eduardo não for aceito, caso sua indicação não for chancelada pelo Senado. Se essa interpretação subsistir, ele corre o risco de ficar sem seu mandato. Existe a possibilidade de uma nova emenda ser aprovada para que não haja a necessidade da renúncia, mas, por enquanto, isso seria apenas mais uma especulação, diante de um Congresso hostil ao atual governo.

De modo geral, sua designação seria mais um acerto do que um erro — ainda que, como já dito, também pesem o desgaste político provocado e o fundado temor da existência de um movimento orquestrado para desgastar seu pai, o presidente Jair Bolsonaro, que vetará seu nome no Senado Federal. A hipótese não deve ser ignorada. Daí a necessidade de muita prudência.


Eduardo Bolsonaro é peça fundamental no jogo político. O Brasil não pode se dar ao luxo de perder um aliado tão fiel na injusta guerra travada. Não importa onde ele esteja, desempenhará bem a missão que lhe for atribuída: tanto na Câmara Federal, conduzido por quase dois milhões de eleitores, como nos Estados Unidos, se porventura vier a atuar como chanceler.


Urge ressaltar ainda que o Brasil já teve gratas surpresas em sua diplomacia propiciada sobretudo por notáveis que jamais pertenceram aos quadros do Itamaraty. O preconceito quanto à formação de Eduardo Bolsonaro é simplista e desnuda a completa ignorância em relação ao tema.

Autoria de Claudia Wild


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